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Vladimir Herzog

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Vladimir Herzog além de jornalista, foi professor da Universidade de São Paulo e teatrólogo. Cursou filosofia na USP onde conheceu Clarice com que se casaria mais tarde. Trabalhou no jornal “O Estado de São Paulo”, foi redator do programa “Show de Notícias” do canal 9, editor de cultura da revista Visão. Em alguns momentos se dividia entre o jornalismo e o cinema, uma de suas grandes paixões. Seguiu para Londres para fazer um curso de TV na BBC. Dirigiu o jornalismo da “TV Cultura” em 1975.

Com saúde frágil, Vlado se alimentava pouco, com extraordinária sensibilidade voltada para a arte sempre fez questão de cultivar as amizades se correspondendo através de cartas quando longe. Tinha clareza e boas idéias, sério, responsável, maduro, estável, marcava-o uma profunda generosidade. Aparentemente tímido, era delicado e engraçado, com uma inteligência penetrante, excelente escritor. Sempre com um livro debaixo do braço, o doce e competente jornalista era muito ligado ao cinema, televisão e teatro.

Em plena ditadura, anos em que qualquer ato que não fosse de encontro ao governo seria punido severamente, um falso nacionalismo era encenado pelo governo militar. Uma verdadeira “caça” aos ditos comunistas. Vários jornalistas foram perseguidos, não havia liberdade de imprensa e os opositores do governo recebiam punições.

Vladimir Herzog foi chamado até o DOI – CODI para prestar esclarecimentos e, aos 38 anos é morto pela repressão do regime militar, sendo sua morte tratada como suicídio na tentativa de isenção da culpa da União, posteriormente considerada culpada quando sua esposa, Clarice Herzog, para provar que ele fora preso injustamente, abriu um processo de averiguação, ganhando a causa 3 anos depois.

Logo após sua morte, em 31 de outubro de 1975, um culto ecumênico na Catedral da Sé, reuniu as religiões. Dirigido por D. Paulo Evaristo Arns, junto com o pastor James Wright e o rabino Henri Sobel, milhares de pessoas fizeram um momento de silêncio em protestos contra o regime da ditadura militar, em expressão de indignação de um direito ferido, o direito a vida.

Ernesto Geisel, o presidente da época, não prendeu ninguém, mas exonerou o comandante do II Exército, responsável pelos acontecimentos, após protestos de milhares e milhares de universitários, jornalistas, intelectuais e líderes religiosos de todos os credos. A morte de Herzog mudou os rumos do país, foi responsável pela abertura política e pelo processo de redemocratização do Brasil, seu nome será um eco eterno da voz da liberdade, que não cala.

[Em enquete realizada nas ruas de São Paulo, a maioria das pessoas desconhece quem foi Vladimir Herzog, não tendo a menor idéia do que sua vida e ocasionalmente sua morte, tenham representada a Nação, com reflexos até os tempos atuais.]

João Batista de Andrade em seu documentário – “Vlado – 30 anos depois” – conta um pouco da história às pessoas que não viveram na época. Vale a pena assistir! Conhecer a história do país em que vivemos, afinal quanto mais olharmos para trás, mais estaremos aptos a enxergar na frente.

“Aqueles que não se lembram do passado estão condenados a repeti-lo.”
George Santayana

Campos do Jordão, 14 de Agosto de 2008.

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Written by Doce vida

agosto 14, 2008 at 1:27 pm

Publicado em Comunicação

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