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TV digital

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A TV digital, tão anunciada e esperada, inaugurada no final do ano passado, nada mais é do que a transmissão digital dos sinais audiovisuais, e para que se desenvolva comercialmente será necessária a queda no preço dos aparelhos para codificação e decodificação dos sinais em tempo real. Na transmissão digital, a imagem é mais imune a transferências e ruídos, ficando livre dos “chuviscos” e “fantasmas”, comuns na TV analógica.

Pela ausência de tecnologia, ainda não existe produção massiva de programação de alta definição no país, embora metade dos estúdios já está digitalizada, sendo mais de 60% das produções, feitas com equipamentos digitais: filmagem, edição e pós-produção. Os custos elevados e adaptações aos aparelhos de TV, já no mercado, ainda não foram elementos superados, o que traz a impressão de ser mais um avanço tecnológico que só chega a uma parcela da população.

A forma como evolui e o alcance social da televisão, geram questionamentos sobre a real importância desse meio de comunicação e sobre sua influência e dominação cultural. O meio é confundido com a mensagem pelos teóricos que se debruçam sobre o assunto, como se fossem uma coisa só. E não são. O meio é a tecnologia, o instrumento. A mensagem, é elaborada a parte, para ser inserida no meio.

A programação é absolutamente questionável, porém a tecnologia chamada televisão é apenas o instrumento, nas mãos dos que geram e transmitem conteúdos. E que ela funciona, não há dúvidas!

MENSAGEM

E existe interesse em levantar discussões sobre a mensagem que é transmitida, e assimilada de forma passiva, alienando as pessoas que recebem a informação, o conteúdo, sem questionar? Existe interesse em rever a programação, tornando-a de UTILIDADE pública e/ou educativa? Eu não acredito!

URGÊNCIA

E é a forma de utilizar esse precioso instrumento que precisa ser revista, com muito mais urgência que a imagem mais nítida, o azul mais azul, ou a ausência de fantasmas ou interferências. Não que o aspecto visual não importe, nada disso, mas adianta a embalagem linda? O que se “consome” não é o que vem dentro da embalagem? O produto?

No frigir dos ovos, a imagem não é o que faz diferença para a massa, que não está tão atenta a pequenas distorções na imagem, mas está agindo tal qual é sugestionado na TV, pelas suas programações, pra onde sim deveriam estar voltadas as atenções, e os investimentos.

A TV poderia ser o caminho, para levar às pessoas informações, instruções, conhecimentos. Mas pra isso precisaria mudar a programação.

REALIDADE

No Brasil, são mais de 65 milhões de aparelhos receptores, presentes em mais de 90% dos lares, sendo que mais de 80% é TV aberta, e na maioria dos casos, é a única fonte de informação da população.

INTERATIVIDADE [?]

As características da TV digital não se resumem à qualidade e à otimização do “fantasma”. Outra das vantagens, é a interatividade. Em nome da comodidade de quem transmite e quem recebe a mensagem do outro lado da tela, e dos aspectos financeiros envolvidos, outras ferramentas de comunicação se uniram à TV.

O comércio televisivo passará a ser destaque, onde o telespectador poderá adquirir os produtos anunciados diretamente pela TV, o que já acontece com a SKY, televisão por assinatura, há alguns anos. O vídeo sob demanda também é comum na TV digital. O vídeo é oferecido e o telespectador assiste se e quando quiser, podendo montar sua programação. O acesso a internet também poderá ser oferecido, pretensão uma inclusão digital, ainda não alcançada pela internet. Será que poder comprar brincos iguais aos da Fátima Bernardes, do Jornal Nacional, no decorrer do programa, pode ser chamado de interatividade?

E DEPOIS? …

E quem paga a conta? Para justificar a oferta desses produtos e o alto investimento na implantação do sistema, é essencial que se vise um público consumidor, que é justamente a massa, [as classes que mais necessitam de adequações dos preços dos aparelhos, que caibam em seus orçamentos].

Mas se não são acessíveis nem os aparelhos ainda, poderão efetuar grandes compras e manter o funcionamento do sistema? E a invasão das publicidades nos programas, que já vem acontecendo gradativamente, não esperando mais a hora do intervalo para anunciar seus produtos, sendo inseridos durante a programação. Ficará a dúvida ainda maior entre o que é jornalismo e o que é publicidade? O que é de interesse público e o que é de interesse que o público consuma?

A massa, alienada, conseguirá distinguir? Ó céus!

A mostra que o caminho parece bem mais longo na prática, que na teoria.

Campos do Jordão, 07 de setembro de 2008.

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Written by Doce vida

setembro 7, 2008 at 6:43 pm

Publicado em Comunicação

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