Sobreleituras

Leituras do mundo, das mais variadas, dos fatos e acontecimentos.

Posts Tagged ‘jornalista

“Cem quilos de ouro”

leave a comment »

Já havia me surpreendido com a forma de escrita de Fernando Morais quando li “Chatô – O rei do Brasil”.
O livro, de muitas páginas, semelhante a um peso de porta, parecia o caos quando recomendado pelo professor de História do Jornalismo. Mas foi considerado valioso após sua leitura. Tanto para entender o contexto do surgimento da TV, o aparato tecnológico que mais exerce influência e atinge a massa, estando presente em mais de 95% dos lares brasileiros, quanto para saber sobre a vida de Chatô, e das pessoas que o circundavam.
A televisão. AHH a televisão.
Aquela que usa e abusa do imaginário e transporta o ser humano pra outra vida.

Em busca de minhas leituras costumeiras, que passam os olhos por revistas, jornais, e toda hora está em busca de um livro, de novo surgiu o nome do jornalista Fernando Morais como opção. Aceitei a leitura para compreender se Chatô teria sido personagem o bastante para faze-lo contar histórias tão claras, ou se o modo de escrita dele era de fato tão “saborosa”, fluindo agradavelmente a cada capítulo.

“Cem quilos de ouro” traz doze reportagens escritas e já publicadas pelo jornalista, mostrando que apuração, riqueza de detalhes e faro jornalístico não lhes falta. Na matéria que entitula o livro, o autor discorre sobre o sequestro de um empresário. A imaginação é aguçada e as imagens vão se formando na cabeça, como se estivessemos vendo a cena, tamanha quantidade de detalhes e capacidade de descrição dos elementos, que nos fazem juntar as peças, formando um todo. Cada parte é visualizada, e a única pena é que não sejam reportagens mais profundas, mais densas, já que pela forma de escrita do autor, aprender se torna uma consequência. Uma consequência aliás agradável, prazerosa. Com vontade de quero mais.

Recomendo! Os dois livros lidos de Fernando Morais. “Chatô- O rei do Brasil” e “Cem quilos de Ouro”.
Lendo e relendo… E aos poucos, aprendendo. A escrever. A descrever.

Idéia de escrever sobre o assunto: Leitura “Cem quilos de ouro”  – Fernando Morais.

Written by Doce vida

novembro 23, 2008 at 6:49 pm

Publicado em Comunicação

Tagged with , ,

Vladimir Herzog

leave a comment »

Vladimir Herzog além de jornalista, foi professor da Universidade de São Paulo e teatrólogo. Cursou filosofia na USP onde conheceu Clarice com que se casaria mais tarde. Trabalhou no jornal “O Estado de São Paulo”, foi redator do programa “Show de Notícias” do canal 9, editor de cultura da revista Visão. Em alguns momentos se dividia entre o jornalismo e o cinema, uma de suas grandes paixões. Seguiu para Londres para fazer um curso de TV na BBC. Dirigiu o jornalismo da “TV Cultura” em 1975.

Com saúde frágil, Vlado se alimentava pouco, com extraordinária sensibilidade voltada para a arte sempre fez questão de cultivar as amizades se correspondendo através de cartas quando longe. Tinha clareza e boas idéias, sério, responsável, maduro, estável, marcava-o uma profunda generosidade. Aparentemente tímido, era delicado e engraçado, com uma inteligência penetrante, excelente escritor. Sempre com um livro debaixo do braço, o doce e competente jornalista era muito ligado ao cinema, televisão e teatro.

Em plena ditadura, anos em que qualquer ato que não fosse de encontro ao governo seria punido severamente, um falso nacionalismo era encenado pelo governo militar. Uma verdadeira “caça” aos ditos comunistas. Vários jornalistas foram perseguidos, não havia liberdade de imprensa e os opositores do governo recebiam punições.

Vladimir Herzog foi chamado até o DOI – CODI para prestar esclarecimentos e, aos 38 anos é morto pela repressão do regime militar, sendo sua morte tratada como suicídio na tentativa de isenção da culpa da União, posteriormente considerada culpada quando sua esposa, Clarice Herzog, para provar que ele fora preso injustamente, abriu um processo de averiguação, ganhando a causa 3 anos depois.

Logo após sua morte, em 31 de outubro de 1975, um culto ecumênico na Catedral da Sé, reuniu as religiões. Dirigido por D. Paulo Evaristo Arns, junto com o pastor James Wright e o rabino Henri Sobel, milhares de pessoas fizeram um momento de silêncio em protestos contra o regime da ditadura militar, em expressão de indignação de um direito ferido, o direito a vida.

Ernesto Geisel, o presidente da época, não prendeu ninguém, mas exonerou o comandante do II Exército, responsável pelos acontecimentos, após protestos de milhares e milhares de universitários, jornalistas, intelectuais e líderes religiosos de todos os credos. A morte de Herzog mudou os rumos do país, foi responsável pela abertura política e pelo processo de redemocratização do Brasil, seu nome será um eco eterno da voz da liberdade, que não cala.

[Em enquete realizada nas ruas de São Paulo, a maioria das pessoas desconhece quem foi Vladimir Herzog, não tendo a menor idéia do que sua vida e ocasionalmente sua morte, tenham representada a Nação, com reflexos até os tempos atuais.]

João Batista de Andrade em seu documentário – “Vlado – 30 anos depois” – conta um pouco da história às pessoas que não viveram na época. Vale a pena assistir! Conhecer a história do país em que vivemos, afinal quanto mais olharmos para trás, mais estaremos aptos a enxergar na frente.

“Aqueles que não se lembram do passado estão condenados a repeti-lo.”
George Santayana

Campos do Jordão, 14 de Agosto de 2008.

Written by Doce vida

agosto 14, 2008 at 1:27 pm

Publicado em Comunicação

Tagged with , ,