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Eleições 2008 I

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Em padaria da cidade tomando o habitual café da manhã, dia tranqüilo e um grupo de mais ou menos 15 pessoas comemoram na mesa ao lado. A agitação, dos que parecem em festa, com balburdia e “conversê”, é pra comemorar a decisão do STF [Supremo Tribunal Federal], na noite de ontem, quarta-feira, dia 06 de agosto.

No dia 10 de junho, o TSE [Tribunal Superior Eleitoral], tomou a decisão que apenas políticos condenados em última instância poderiam ser impedidos de disputar as eleições. Contrária à decisão, a AMB [Associação dos Magistrados Brasileiros] recorreu ao Supremo, que decidiu ontem, o destino dos candidatos por meio dos votos de 11 ministros que compõem o plenário do tribunal.

Por 9 votos a 2, a decisão foi de que os políticos que respondem a processos na Justiça, podem se candidatar normalmente, a não ser que tenham uma condenação definitiva, sem possibilidade de recursos.

Se dependesse da opinião dos eleitores brasileiros, a posição do TSE seria revista pelo STF. É o que demonstra pesquisa feita pelo Vox Populi, por encomenda da Associação dos Magistrados Brasileiros.

A pesquisa é nacional e foi efetuada por telefone, entre 27 de junho e 6 de julho. Foram ouvidas 1502 pessoas com mais de 16 anos, portadores de título de eleitor.

Para 88% dos entrevistados, políticos condenados por crimes “graves” não poderiam se candidatar, independente da possibilidade ou não de recursos.

Na opinião de 91% das pessoas, políticos que renunciaram aos mandatos para fugir de processos de cassação também deveriam ser impedidos de disputar eleições.

E para 89% os governadores e prefeitos com contas rejeitadas pelos tribunais de contas deveriam ter suas re-candidaturas barradas pela Justiça Eleitoral.

Se a opinião das pessoas está na contramão da decisão, existem formas de reverter o processo. O voto está nas mãos da população. Somos nós quem votamos, elegemos, proporcionamos a oportunidade de uma cadeira de representatividade ao político, portanto, analisemos nós a vida pregressa do candidato e tenhamos a consciência de que somos mais forte que qualquer poder que aparente maior. Sim, juntos, somos mais fortes.

Pode haver votações, decisões, justiças ou injustiças, mas está na mão dos eleitores escolher pessoas com idoneidade moral suficiente para assumir um cargo público.

Cá pra nós, o que será mais deplorável? A decisão tomada pelo STF ou tão insalubre comemoração? Que país é este?

[O detalhe é que, para se ter emprego de “peão”, em empresa privada, é exigido ficha limpa. Para se administrar dinheiro público não! “Pasmém”!]

Campos do Jordão, 07 de Agosto de 2008.

Written by Doce vida

agosto 7, 2008 at 7:54 pm

Publicado em Leis

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