Sobreleituras

Leituras do mundo, das mais variadas, dos fatos e acontecimentos.

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Comênio

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O pensador tcheco é considerado o primeiro grande nome da moderna história da educação. Sua obra mais importante marca o início da sistematização da pedagogia e da didática. Para ele, a prática escolar, deveria imitar os processos da natureza, e nas relações entre professor e aluno, seriam consideradas as possibilidades e interesses da criança.

Foi o primeiro teórico de um modelo de escola que deveria ensinar “tudo a todos”, defendia o acesso irrestrito a escrita, a leitura e ao cálculo.

Acreditava que, por ser dotado de razão, o homem entende a si mesmo e as coisas, por isso, deve se dedicar a ensinar e aprender, entendendo que o mais importante na vida não é a contemplação, e sim a ação. Foi pioneiro ao respeitar a inteligência e os sentimentos da criança.

Para saber mais:

http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/0170/aberto/mt_142784.shtml

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“Quanto maior o número de problemas em que pensamos, maior é o perigo de não compreendermos nenhum”

Comênio

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Campos do Jordão, 25 de Agosto de 2008.

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Written by Doce vida

agosto 25, 2008 at 12:03 am

Publicado em Educação, Filosofia

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Retratos da Leitura no Brasil

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A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, em sua segunda edição, é o principal estudo em âmbito nacional sobre o comportamento do leitor brasileiro.

Realizada pelo Instituto Pró Livro, uma organização social civil de interesse público, mantida com recursos vindos de entidades do mercado editorial, objetiva o fomento à leitura e à difusão do livro, contribuindo para delimitar quais as ações e o direcionamento para estimular o hábito da leitura, além do levantamento de quais tendências podem orientar o mercado – editores e livreiros, qual o valor social que os cidadãos brasileiros atribuem à leitura e ao livro, quem é esse leitor, quem são os consumidores de livros e como as leituras são acessadas.

A amostra da pesquisa representa todo o universo da população brasileira com 5 anos de idade ou mais. Foi verificado que uma imensa fatia da população não conhece matérias de leitura, ou conhece mal, além do claríssimo problema de acesso aos materiais de leitura, em especial ao livro. Mesmo pra quem tem um livro por perto, falta a descoberta, que torna o sujeito capturado para a leitura.

O número de pessoas que não lê diminui de acordo com a renda familiar e com a classe social. Na classe A [renda maior que 10 salários mínimos], quase não há não leitores, sendo apenas 1%.

Isso nos leva a conclusão de que o poder aquisitivo é significativo para que se formem leitores assíduos, apesar de não ser regra e haver diversas formas disponíveis para quem não pode comprar, apesar de pouco estimuladas.

As maiores dificuldades encontradas pelas pessoas que não lêem, e até mesmo por algumas acostumadas a ler, dizem respeito a habilidades formadas no processo de educação. Para superar essas dificuldades seria necessária uma mobilização do poder público na formação e aperfeiçoamento de professores de língua portuguesa e mediadores de leitura.

Mobilização que parece não estar a caminho, visto os passos lentos que anda o ensino nos dias atuais.

[Em 2007 os alunos matriculados no ensino básico eram 52,9 milhões.]

Considerando que muitos brasileiros não gostam de ler por falta de tempo, e sendo o tempo uma questão de organização da agenda pessoal, o índice de desinteresse pela leitura cresce muito.

E se a maior influência para a formação da leitura vem dos pais, a quantidade de pais sem instrução ou com ensino incompleto torna o problema ainda maior.

Na percepção das pessoas, a leitura está diretamente ligada a escola ou aos estudos.

Por outro lado, é clara a progressiva valorização da leitura, à medida que avança a escolarização dos entrevistados. O ensino superior define um índice maior de leitura, além do uso maior de internet.

Todos os dados apontam, portanto, para a necessidade de a escola assumir verdadeiramente seu papel de formadora de leitores, trabalhando de forma intensa suas ações em todas as direções que se relacionam com o gosto pela leitura.

Os moradores do interior são os que menos lêem de acordo com a pesquisa, e as regiões Nordeste e Norte são as que apresentam os maiores problemas.

No tempo livre as pessoas preferem ver TV, ouvir musica, descansar, ouvir rádio, ler e sair com os amigos, nessa ordem.

Entre os livros mais lidos figura a Bíblia, seguida de livros didáticos, romance, literatura infantil, poesia, história em quadrinhos etc.

Quem mais lê são as mulheres. Homens lêem para se atualizar profissionalmente e por exigência escolar, já mulheres lêem mais por prazer e gosto e também por motivos religiosos.

Entre os leitores apenas 38% lêem o livro todo, o restante apenas capítulos ou trechos.

A média é de 25 livros por residência, sendo que 8% da população não têm nenhum livro em casa. [Como viver sem livros em casa? – eu me pergunto.]

Em 2007 cada pessoa comprou em média 1,2 livros, e cada uma delas leu 4,7 livros no ano.

No portal Domínio Público do MEC já foram baixados 7 milhões de cópias das 72.000 obras disponíveis,

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp

Vale a visita!

* A pesquisa não avalia a qualidade da leitura ou o nível da compreensão dos textos lidos.

Fonte da pesquisa:

Instituto Pró-Livro (2008), “Retratos da Leitura no Brasil” http://www.prolivro.org.br

Campos do Jordão, editado em 27 de Julho de 2008.


Written by Doce vida

julho 27, 2008 at 1:58 pm

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Santo Agostinho

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“Não se aprende pelas palavras, que repercutem exteriormente, mas pela verdade, que ensina interiormente”

Santo Agostinho

O mais influente pensador ocidental dos primeiros séculos da Idade Média.

A crença passa a ganhar substância doutrinaria para orientar a educação. O conhecimento ocupava lugar central na filosofia de Santo Agostinho, mas ele se confundia com a fé. Segundo o filósofo, os sentidos nunca se enganam, e portanto o que eles captam é para o ser humano a verdade. O pensamento não se confunde com o mundo material.

Relacionado ao tema da educação a idéia é de que o professor não ensina sozinho, mas depende também do aluno e, sobretudo, de uma verdade comum aos dois. O professor mostra o caminho e o aluno segue, o professor não transmite mas desperta.

A filosofia de Santo Agostinho está condicionada a fé religiosa e, especificamente, à ética cristã.

Para saber mais: http://www.mundodosfilosofos.com.br/agostinho.htm

Campos do Jordão, editado em 21 de Julho de 2008.

Written by Doce vida

julho 21, 2008 at 5:59 pm

Platão

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“Uma vida não questionada não merece ser vivida.”

Platão

Um dos filósofos que mais influenciaram a cultura ocidental, Platão foi o primeiro pedagogo, não só por ter concebido um sistema educacional para o seu tempo, mas principalmente por tê-lo integrado a uma dimensão ética e política.

Para o filósofo o objetivo final da educação era a formação do homem vivendo em um Estado justo. Pensava em termos de uma busca continuada da virtude, justiça e da verdade.

A educação visava testar as aptidões dos alunos para que os mais inclinados ao conhecimento pudessem receber formação completa para serem governantes.

Pregava a renúncia do indivíduo em favor da comunidade.

Defendia a idéia de que a alma precede o corpo, e que antes de encarnar, tem acesso ao conhecimento, sendo assim não seria possível transmitir conhecimentos aos alunos, mas levá-los a procurar respostas, eles mesmos, às suas inquietações. Por esse motivo rejeitava métodos de ensino autoritários.

Acreditava que, por meio do conhecimento, seria possível controlar os instintos, a ganância e a violência.

A dialética em Platão é o principal instrumento de busca da verdade.

Para saber mais: http://www.mundodosfilosofos.com.br/platao.htm

Campos do Jordão, editado em 19 de Julho de 2008.

Written by Doce vida

julho 19, 2008 at 11:53 pm

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Inovações na educação

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Depois de ser a surpresa do Ministério da Educação, Taboão da Serra teve crescimento de qualidade de ensino em dobro ao da média nacional, de acordo com o IDEP [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica].

8,9% – simplesmente 4,9% mais que a média nacional – 4,2% – nos anos finais da educação básica; a cidade mais uma vez surpreende, desta vez inovando.

Em uma iniciativa inédita no país e premiada pela ONU [Organização das Nações Unidas], a prefeitura passou a pagar R35,00 para que os professores fizessem visitas à casa dos alunos.

Devem visitar todos os estudantes pelo menos uma vez por ano.

O projeto, chamado Interação Família Escola, foi escolhido como uma das iniciativas do país que mais contribuíram para os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, compromisso estabelecido por 191 nações em um evento da ONU no ano de 2000.

De acordo com avaliações da Secretaria do Estado da Educação, o desempenho dos que receberam a visita é 80% maior do que os que não receberam. Prova de que o acompanhamento in loco realmente funciona.

Vinte mil famílias já foram visitadas desde o começo do projeto, em 2005.

As visitas duram de 40 minutos até 1 hora, e os docentes são instruídos para não fazerem anotações. Os educadores destacam a importância de o professor conhecer a realidade de cada aluno, para direcionar o trabalho realizado em sala de aula.

As crianças se entusiasmam com a visita da tia, mudando comportamentos a partir dali.

A tia se entusiasma posteriormente com a transformação do aluno em sala de aula.

O sucesso do projeto vem da relação entre aprendizagem e afetividade, que não podem caminhar separados.

O valor recebido pelos professores é um complemento na renda, que chega a dobrar o salário no final do mês.

Benefício para o aluno, para os pais, para o professor e para o governo.

Visitas que só acrescem, o que mostra que existem alternativas e soluções para melhorar o ensino, sua qualidade e sua direção.

Um projeto piloto baseado nessa iniciativa, circula na Unesco, em parceria com o Ministério da Educação, e deve ser implantado no ano que vem em todo país.

E que venham novas iniciativas.

E que agregadas possam transformar a educação no Brasil.

“Até onde conseguirmos discernir, o único propósito da existência humana é acender uma luz na escuridão da mera existência”

Carl Jung

Campos do Jordão, editado em 18 de Julho de 2008.

Written by Doce vida

julho 18, 2008 at 4:07 pm

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Sócrates

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O pensamento do filósofo grego Sócrates, nascido em Atenas por volta de 469 a.C., marca uma reviravolta na história humana.

Até então a filosofia procurava explicar o mundo baseado na observação das forças da natureza, com os ensinamentos de Sócrates, o ser humano voltou-se para si mesmo. A preocupação então era levar as pessoas, por meio do autoconhecimento, à sabedoria e à prática do bem.

Defensor do diálogo como método de educação, Sócrates considerava importante o contato direto com os interlocutores. Para o filósofo ninguém consegue conduzir-se, e muito menos conduzir os demais, se não possuir capacidade de autodomínio.

Valorizava acima de tudo a verdade e as virtudes.

Partindo do ponto de vista do filósofo, o papel do educador é despertar a cooperação do indivíduo, ajudando-o a caminhar por si próprio, iluminando sua inteligência e sua consciência. Assim o verdadeiro mestre não só provê conhecimentos mas desperta no outro a vontade de conhecer. Para o filósofo só a troca de idéias dá liberdade ao pensamento e sua expressão, o que aperfeiçoa o ser humano.

Foi o primeiro filósofo a se preocupar não só com a verdade mas com o modo como se pode chegar a ela.

Inspirado no aforismo “conhece-te a ti mesmo”, julgava importante os princípios universais que conduziriam as investigações das coisas humanas.

“É sábio o homem que pôs em si tudo que leva à felicidade ou dela se aproxima” Sócrates

Para saber um pouco mais: http://www.mundodosfilosofos.com.br/socrates.htm

Campos do Jordão, editado em 15 de Julho de 2008.

Written by Doce vida

julho 15, 2008 at 3:46 pm

Educação brasileira I

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Cá estamos, em um país onde, em abril deste ano, foi constatado que a Secretaria do Estado da Educação distribuiu cartilhas de orientação para professores, contendo erros absurdos de História e Geografia. Foram 25 erros em cinco cartilhas de 5ª série fundamental até 1º do ensino médio, correspondentes ao 1ª bimestre de 2008.

As cartilhas, de uso obrigatório, registram que Cuba é um país de regime político capitalista. Em resposta à pergunta: “O Século XXI começou no ano 2001 e terminará em que ano?” – “3.000” era a resposta, quando o correto seria o ano de 2.100. Confusão de século com milênio. Pasmem! E o rio Xingu, um dos mais importantes do país, segundo a cartilha, corta o Estado de São Paulo, quando a informação real é que o rio em questão nasce na Serra Azul, em Mato Grosso, e corta a região sudoeste do Pará. A Secretaria de Educação do Estado, em resposta, informou terem sido erros pequenos e pontuais diante da dimensão do material elaborado.

Mas será admissível haver erros, ainda que pontuais, em materiais que foram criados com o objetivo de padronizar o ensino em sala de aula em todo um país?

Um material com gastos estimados em R$4,6 milhões poderia conter erros de ordem grave, sendo rodados sem uma inspeção rígida? Seria um mero detalhe a produção e distribuição de 1,6 milhões de cartilhas guia sem atenção a erros, de qualquer espécie?

E os erros não ficaram por aí, no caderno de geografia da 5ª série, foram corrigidas legendas de mapas que davam crédito para uma obra e, na verdade, pertencia a outra. Havia ainda um mapa mundi onde a Rússia constava apenas no continente asiático, sendo que na realidade, possui uma porção européia.

Com o objetivo de formular uma base curricular comum para professores e alunos e melhorar os resultados do SARESP – Sistema de Avaliação e Rendimento do Estado de São Paulo (http://saresp.edunet.sp.gov.br), com programação para lançamento de uma edição por bimestre [4 para cada disciplina], poderiam se dar ao luxo de um material não editado criteriosa e corretamente?

E como nos calar, diante dessas e de outras falhas técnicas, e não tão relevantes proporcionalmente, porém não menos divulgadas e comentadas, como o erro de português na palavra encino, constante em apenas uma das páginas dos livros dos professores de inglês da 8.ª série. Considerado pela Secretaria da Educação como um problema de digitação já que, em 76 tipos de apostilas, estão grafadas mais de 350 vezes a palavra ensino de forma certa.

Mas ora que justificativa! E porque não escrito certo em TODAS ás vezes? Não há revisão final do material?

Só uma falhazinha de digitação em Português, apenas errinhos pontuais em História e Geografia.

Tão pequenos perto de um ensino em teorias caminhando para um primeiro mundo e na prática tão perdido, desgovernado pelo governo que insiste em dizer priorizá-lo. Mas é com pequenas atenções que são dadas, desde a produção e elaboração de um material até sua utilização em sala de aula, é que percebemos o tamanho da preocupação com a educação, o quesito básico depois da saúde para formar um país. “Ordem e Progresso”. Sem ordem não há progresso. De nada adianta “Desordem no Congresso”.

A educação caminha de mal a pior não só da base para o vértice, com alunos que desrespeitam professores e não tem interesse, mas também e principalmente, do vértice para a base, de onde deveriam vir as melhores referências, não só em grafias e/ou informações certas ou erradas, mas referências de comportamentos.

O grau de importância que se dá à elaboração e edição de materiais destinados ao aprendizado torna menos importante quem já não se sente importante, lidando com suas piores frustrações ao perceber que de fato ninguém se importa.

Estarão tratando com respeito e devida consideração uma juventude que comandará o país em um futuro não tão distante? Estarão entendendo que a massa trabalhadora de amanhã só poderá ser melhor se investida nela hoje? E quem pensa que seus filhos, em colégios particulares, não enfrentarão as conseqüências dessa “deseducação” atual está enganado. Quem trabalhará para eles? Com que espécies de limitações absurdas terão de conviver em plena sociedade pós-moderna, em que o resolver das coisas parece ser suscetível a um toque na tela?

“Fugir” com nossos filhos para escolas particulares resolve ou mascara um problema tão latente?

Em um país onde o descrédito vem das duas partes, de quem comanda e de quem é comandado. De quem letra e de quem é letrado. Ninguém acredita em ninguém.

Ainda há esperanças de mudar os rumos da educação brasileira?

Fica a pergunta. Que não cala.

Campos do Jordão, editado em 12 de Julho de 2008.

Written by Doce vida

julho 13, 2008 at 5:25 pm

Publicado em Educação

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