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“A Cultura Digital”

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Uma publicação que vale a pena ser comentada, pelos avanços da tecnologia e pelo domínio da internet nos tempos atuais, onde de acordo com o IBOPE/NetRatings, 40 milhões de pessoas tem acesso a internet atualmente no Brasil, o que representa 22,5% da população do país. São os brasileiros os que mais gastam horas na rede, [23h48m conectados ao mês], vindo em seguida o Japão, França, Estados Unidos e Austrália.

O livro “A Cultura Digital” da série Folha Explica, Publifolha, escrito por Rogério da Costa, aborda um tema de grande repercussão nos tempos atuais. A cultura digital, considerada a cultura da atualidade, está ligada a idéia da interconexão dos homens, das tecnologias que proporcionam à sociedade a oportunidade de interagir. Leitura recomendada aos interessados na área de tecnologia da informação e comunicação, e àqueles que se interessam por novas tecnologias e suas interfaces, que é como o autor chama as diversas janelas que se abrem a nossa frente, em diversos tipos de monitores, que vão de telas de TV a terminais eletrônicos de banco, passando pelo celular, tão presente no cotidiano das pessoas.

O autor tem como objetivo colocar em questão a forte presença, sobretudo da internet, nos dias atuais, trazendo o surgimento das comunidades virtuais, onde as pessoas se relacionam em torno de um objeto comum sem que necessariamente precisem estar próximos, bastando que estejam interconectados. Discorre ainda sobre a infinidade de maneiras como somos colocados diante dessas tecnologias no dia-a-dia, que dividem nossa atenção e prometem informações das mais variadas.

A necessidade de saber interagir com esses aparelhos é fundamental para que se possa tirar o máximo de proveito que cada um deles pode oferecer. Esses ambientes são definidos por Rogério como interfaces por se colocarem entre os usuários e aquilo que desejam obter.

A possibilidade de comprar produtos pela internet que nem sempre são acessíveis de outra forma, de escolher qual o filme que será exibido, reality shows, jogos que cada vez mais proporcionam interatividade. Todos esses elementos fazem parte desse fenômeno denominado Cultura Digital.

Ainda em questão o dilúvio de informações, que permeia as discussões. O excesso de informações na rede, que se antes eram inseridas apenas pelos meios de comunicação, hoje, com a possibilidade de interatividade, transmissor e destinatário trocam constantemente de papéis, alimentando e sendo alimentados simultaneamente. Tais excessos dificultam o encontro da informação procurada, além da dificuldade de saber quais dessas informações seriam de fato relevantes e verdadeiras, conforme questiona o autor: “Como posso saber que uma página publicada por alguém, em algum canto do mundo, guarda informações que poderiam eventualmente me interessar.” (p.38).

A busca pelo que chamam de agentes inteligentes é outro assunto em questão, facilitadores invisíveis, softwares que desempenham o papel de assistente, assumindo tarefas repetitivas e construindo um perfil dinâmico do ser humano.

Reserva para o final da obra falas sobre as comunidades virtuais, que considera como sendo provavelmente um dos maiores acontecimentos dos últimos anos, já que uma nova maneira de viver em sociedade foi estimulada, sendo o local para que as pessoas se encontrem e troquem conhecimentos sobre interesses comuns. Uma forma de “escapar” da oferta demasiada de informação já que a busca se dá de acordo com interesses individuais que levam ao coletivo.

O tema discutido pelo autor no livro foi recentemente tratado pelo Ministro da Cultura, Gilberto Gil, em palestra na USP, entitulada “Cultura digital e desenvolvimento”. O ministro define cultura digital como um novo conceito que parte da idéia que a revolução das tecnologias digitais é, em essência, cultural. O que significa que o uso de tecnologias digitais muda os comportamentos, o que vem de encontro às definições de Rogério Costa.

O Ministério da Cultura defende ações de inclusão digital como bandeira da ampliação infinita da circulação da informação e criação., e mantém inclusive um blog sobre o tema: (http://www.cultura.gov.br/blogs/cultura_digital/)

Pierre Levy, em Cibercultura (1999), a participação em comunidades virtuais estimula inteligências coletivas. Para ele a inteligência coletiva é basicamente definida como a partilha de funções cognitivas, como a memória, a percepção e o aprendizado. “Elas podem ser melhor compartilhadas quando aumentadas e transformadas por sistemas técnicos e externos ao organismo humano”, explica Lévy referindo-se a internet e aos meios de comunicação.

O fato é que esta cultura digital está presente, e deve ser explorada em sua essência.

A obra é de grande relevância à sociedade moderna, onde cada vez mais o virtual se contrapõe ao real, quando as tecnologias tomam espaço na vida de cada vez mais pessoas, e a necessidade de entendimento do que se passa se torna obrigatória. Entendimento do processo de desenvolvimento de cultura da sociedade moderna.

Leitura leve, dinâmica e prática. Vale a leitura.

[COSTA, Rogério. A Cultura Digital, Ed.2, São Paulo: Publifolha, 2003.]

Campos do Jordão, editado em 13 de Julho de 2008.

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Written by Doce vida

julho 14, 2008 at 5:34 pm