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Sociedade do Espetáculo

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O mecanismo do espetáculo se sobrepõe ao bom senso. Já não há mais medidas para as coberturas jornalísticas, que têm como principal objetivo conquistar a audiência, que conquista a publicidade, que conquista consumidores, que buscam pelo espetáculo, em um círculo vicioso sem fim. Os meios de comunicação passam a fazer parte dos acontecimentos. Quando entrevista um criminoso, no ato do crime, por exemplo como no caso Eloá [garota assassinada pelo ex-namorado em Santo André], a polícia, junto com o sequestrador e a vítima, fazem parte de um circo, montado por si só, mas sustentado e principalmente levado a público pela imprensa. As pessoas excluídas a força da sociedade, querem, também a força, serem incluídas nessa sociedade, e muitas vezes cometem atos atrozes, na ânsia de aparecer, de ser o personagem central, o protagonista. Nem que seja nas páginas policiais.


E quais os limites da ética no uso de imagens e detalhes que só fazem alimentar uma superficialidade, um fato, sem possibilidades de análise do contexto? As cenas são mostradas como se fossem capítulos de uma novela. Como se pessoas reais, com sentimentos, não estivessem envolvidas, sendo obrigados a lidar com os mesmos fatos, a mesma dor, por dias e dias a fio, ao sabor da imprensa.

A sociedade do espetáculo, bem descrita por Guy Debord, conclui que todo o capitalismo conflui para o espetáculo. Muitas vezes as cenas são recriadas, como no caso de Trumam Capote quando escreveu “A Sangue Frio”, um livro que fala sobre um assassinato de uma família no Kansas. Com uma matéria em mãos, a curiosidade e o senso de repórter aguçados, o jornalista dá um exemplo de texto narrativo, em estilo literário e envolvente, contando detalhes do assassinato com entrevistas com os acusados.

Quanto de verdade e quanto de espetáculo? Não se sabe. Apenas sabemos que as coisas não são como elas são, mas como nós somos. E se vemos com os olhos da espetacularização, tudo será sempre, espetáculo. Resta-nos entregar os pontos. Ou questionar, resistir. Não assistir.

Troque a televisão por um livro. Informe-se. Veja TV se preferir, mas não de forma passiva, sem questionar. Não se deixe levar, a ponto de aceitar uma verdade já montada, sem possibilidade de análise dos fatos. Reflita. Insista. Persista.


Idéia de escrever sobre o assunto surgiu do: O Estado de S. Paulo – 26 de Outubro de 2008

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Written by Doce vida

novembro 28, 2008 at 5:20 pm