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Lendo os que nos lêem
Recebi há poucos dias, por email, um arquivo muito interessante de um amigo, com o título “A Palestra dos Bispos”. A palestra, feita em 1977 para a CNBB, foi publicada no livro de Alex Periscinoto, publicitário, um dos criadores da Almap e considerado pelo site www.palestrantes.org, uma associação que divulga os serviços dos melhores palestrantes do Brasil, sob os critérios dos mesmos, como um dos 100 melhores conferencistas do país.
A palestra citada faz uma analogia entre os profissionais de comunicação e os religiosos. Comparando o primeiro veículo de comunicação de massa ao sino, onde cada batida transmitia uma mensagem, atingindo de 80 a 90% das pequenas cidades.
Também o display, que é usado para destacar, chamando atenção para uma mensagem ou um produto e suas vantagens, ressaltando, diferenciando, comparado às arquiteturas das igrejas. Telhados altos, altíssimos. Para que as pessoas apontassem o dedo e dissessem “É lá”. Antes de chegar à aldeia já se podia com facilidade localizar a Igreja.
As analogias envolvem, e inevitavelmente mergulhada, vem o pensamento de como a sociedade se sucede em progressões, retratadas de um “setor” a outro. Os mesmos símbolos se reproduzem em vários âmbitos.
De fato nos é rico analisar e compreender o passado para lidar com o futuro.
E não para por aí, argumentou ainda que os religiosos é que inventaram o primeiro logotipo, ferramenta muito utilizada pelos comunicadores. “Inventaram o mais feliz dos logotipos, a cruz.”, relata o autor. A cruz que nunca deixa de estar na ponta de cada display.
E com respostas espontâneas, além de necessárias e verdadeiras, o primeiro departamento de pesquisas que foi inventado foi o da igreja: o confessionário, que ajudava a recolher subsídios e informações sobre as pessoas. Para produzir o texto certo, para o público indicado e na hora certa é essencial a ferramenta chamada pesquisa para os profissionais de comunicação. E a deles tratava-se de uma pesquisa afinada, já que uma pessoa não ia lá pra mentir, ia para entregar uma informação.
Entre as diversas analogias seguintes, resgata a idéia de como anda falha hoje em dia a “comunicação” da igreja, e que ela própria tendo criado, através de símbolos, formas de comunicação, deixou perder-se esse elo com a comunidade.
Defende ainda o fato de a comunicação ser a única área no Brasil em que pode dizer que “tem distribuição igual”.
O Silvio Santos que o homem da periferia vê é igual ao que um empresário vê.
O Corinthians de um é o mesmo do outro,
o Fantástico, programa de domingo da TV Globo é o mesmo que passa em todas as televisões.
A palestra tem “sabor” de quero mais e me fez requisitar o livro de imediato.
“Mais vale o que se aprende que o que te ensinam” de Alex Periscinoto com Izabel Telles, da Editora Best Seller, fala de quando a propaganda brasileira deu os primeiros passos rumo à modernização e a consciência profissional e reconstitui alguns clássicos da propaganda, como o caso Marlboro e a campanha I Love NY.
As palestras registradas no exemplar, com falas sempre temperadas com parábolas espirituosas e casos divertidos, envolve, do começo ao fim da publicação de 10 capítulos e 60 títulos, com 315 páginas, sendo as 22 finais dedicadas ao registro de todos os funcionários que passaram pela Almap, agência de publicidade que tem entre seus clientes: O Boticário, Bauducco, Havainas, Antarctica, Audi Brasil, Carrefour, Pepsi, Volkswagem, entre outras marcas renomadas, com simbólicas e marcantes campanhas vinculadas a cada uma delas.
Para conhecer mais sobre a agência: http://www.almapbbdo.com.br/, lá encontra os clientes e algumas campanhas criadas, o que pode ajudar a inspirar algum projeto por aí afora, além de proporcionar reflexão quanto a análise dessas peças.
Vale conferir!
Campos do Jordão, editado em 14 de Junho de 2008